Blogg da Rezinha

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sábado, janeiro 09, 2010

Suadades...

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer



o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dói. Bater a cabeça na


quina da mesa, dói. Morder a língua, dói. Cólica, cárie e pedra no rim


também doem. Mas o que mais dói é saudade. Saudade de um irmão que


mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de


uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu.


Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma


cidade. Saudade da gente mesmo, que o tempo não perdoa. Doem essas


saudades todas.






Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da


pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência


consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem,


mas sabiam-se lá. Você podia ir para o escritório e ele para o


dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o


dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã.






Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém


sabe como deter.






Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando


no inverno, não saber mais se ela continua pintando o cabelo.


Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu, não saber se ela foi


na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem


comido frango assado, se ela tem assistido as aulas, se ele ainda


adora Mac Donald´s, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se


ele continua fumando Carlton, se ela continua detestando Coca-cola, se


ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua


surfando, se ela continua lhe amando.






Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram


mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o


pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não


saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.






Saudade é não querer saber se ele esta com outra, e ao mesmo tempo


querer. É não querer saber se ela está feliz, e ao mesmo tempo querer.


É não querer saber se ela esta mais magra, se ele esta mais belo.






Saudade é nunca mais saber de quem se ama, e ainda assim, doer.